Gastronomia de autor com raízes lusas e alma açoriana.
Atelier 560 by Cláudio Pontes
Chef Cláudio Pontes: A alma dos Açores no prato
Senhoras e senhores, é com grande honra que vos apresentamos o Chef Cláudio Pontes, uma força motriz da gastronomia portuguesa contemporânea e um embaixador da sua terra natal, a ilha de São Miguel, nos Açores. A sua carreira é um percurso notável que o levou das cozinhas de alguns dos mais prestigiados restaurantes de Portugal, incluindo estabelecimentos galardoados com estrelas Michelin, de volta às suas raízes insulares.
A sua filosofia assenta em três pilares inabaláveis: sustentabilidade, produto regional e identidade açoriana. Cláudio Pontes não é apenas um cozinheiro; é um guardião de tradições, um inovador criativo e um defensor incansável da “Marca Açores”. A sua cozinha utiliza quase 99% de produtos regionais, com um foco especial na valorização de espécies de baixo valor comercial, transformando o humilde em sublime. Com o ambicioso objetivo de conquistar a primeira estrela Michelin para os Açores, a sua missão transcende o reconhecimento pessoal, visando colocar o seu arquipélago no mapa da alta gastronomia mundial.



Da ilha ao continente e de volta às raízes
Nascido e criado em São Miguel, o jovem Cláudio sonhava ser marinheiro, mas foi a paixão pela cozinha que acabou por definir o seu destino. A sua jornada profissional iniciou-se após a conclusão do Curso de Produção Alimentar em Lisboa, lançando-o numa carreira meteórica no continente.
O seu percurso foi marcado por experiências em estabelecimentos de renome, começando no Le Meridien Lisboa e passando pelo Hotel Miragem em Cascais. No entanto, o ponto de viragem deu-se ao conhecer o Chef Aimé Barroyer, a quem Cláudio se refere carinhosamente como um dos seus “pais da cozinha”. Sob a sua mentoria, trabalhou como Sub-Chef no Pestana Palace Hotel, no Hotel Oitavos e, crucialmente, no icónico Restaurante Tavares, onde foi fundamental para a manutenção da sua estrela Michelin em 2012.
Em 2013, assumiu a sua primeira liderança como Chef Executivo no Restaurante Aviz, em Lisboa. A sua capacidade de gestão foi mais tarde consolidada na Douro Azul, onde era responsável pela oferta gastronómica de onze navios-hotel.
Contudo, a forte ligação às suas origens, impulsionada pela sua esposa, levou-o a tomar a decisão de regressar aos Açores. Esta nova fase começou como Chef Formador na Escola Hoteleira de Ponta Delgada, partilhando o seu vasto conhecimento. Entre 2016 e 2021, liderou as cozinhas do Azor Hotel & Furnas Boutique Hotel, onde se tornou um verdadeiro catalisador da cena gastronómica local. Foi aqui que criou eventos de enorme sucesso como o “#COMELOCAL” e o “Das Origens para o À Terra”, que enaltecem os produtores locais ao convidar chefs de renome nacional para cozinhar com a excecional matéria-prima do arquipélago.
Atualmente, dedica-se a um projeto profundamente pessoal e inovador, o “Fogo na Quinta”. Neste projeto, Cláudio Pontes cozinha exclusivamente com fogo, em espaços naturais únicos, sem recurso a eletricidade. Utilizando madeiras locais como Araçá, Limoeiro e Laranjeira, ele infunde sabores únicos nos alimentos, resgatando técnicas ancestrais e a memória afetiva dos fornos de lenha que são o coração de tantas casas açorianas.
A Filosofia Gastronómica: Sustentabilidade, Identidade e Criatividade Insular
A cozinha de Cláudio Pontes é a expressão pura da sua filosofia. Ele acredita que a mise-en-place de um cozinheiro começa na natureza, conhecendo o percurso de cada ingrediente desde a sua origem. Para ele, os desafios da insularidade — a sazonalidade, as intempéries, a disponibilidade limitada — não são problemas, mas sim estímulos à criatividade. O seu menu está vivo, adaptando-se diariamente ao que o mar e a terra generosamente oferecem.
A sua missão é “mostrar os sabores antigos com ideias novas e frescas”. Isto traduz-se em pratos que contam histórias. Um exemplo perfeito é o seu “Atum patudo sobre ‘alcatra’ fria de ananás assado”, uma criação que une três ilhas num só prato: a técnica da alcatra da Terceira, o ananás de São Miguel e o queijo de São Jorge. Ele faz-nos sentir o iodo das cracas como se estivéssemos a dar um mergulho no Atlântico e recupera gestos ancestrais, como cozinhar um peixe dentro de uma telha de barro.
É um defensor acérrimo do ecossistema local. Luta ativamente para que o melhor pescado dos Açores permaneça na região, beneficiando produtores e consumidores locais, numa “batalha” que considera essencial para o futuro sustentável da gastronomia açoriana.

Um Embaixador do Sabor Atlântico
Para concluir, o Chef Cláudio Pontes é muito mais do que um Chef Executivo. Ele é um contador de histórias, um visionário e um embaixador cultural. O seu trabalho transcende a cozinha para se tornar um ato de afirmação da identidade açoriana no palco mundial.
A sua busca pela estrela Michelin não é um fim em si mesmo, mas sim um veículo para iluminar a riqueza, a diversidade e o potencial de um dos terroirs mais singulares do mundo. Através da sua paixão, do seu respeito profundo pelo produto e da sua criatividade ilimitada, Cláudio Pontes convida-nos a todos a descobrir os Açores, não apenas como um destino, mas como uma experiência gustativa inesquecível. A sua cozinha não é apenas uma refeição; é uma imersão na alma vulcânica, marítima e resiliente do arquipélago dos Açores.
